Fiquei uma semana sem escrever. Me foi impossível, devido ao início das aulas, aniversário de ma chèrrie, urgências no trabalho, etc. Mas um dos motivos era o próprio assunto do qual trataria: John Cage. Não me aprofundarei no tema da maneira que gostaria: tenho um programa e devo segui-lo, para evitar bagunça.

Of course he’s not a composer, but he’s an inventor—of genius.” Esta citação de Schoenberg é a melhor definição de Cage que pude encontrar. Ao contrário da esmagadora maioria dos grandes compositores, Cage não iniciou sua carreira artística na música. Antes de se tornar compositor, experimentou a arquitetura, a pintura, a literatura. Por algum tempo, viveu de ministrar palestras sobre a arte moderna. Sua indecisão parecia ser uma força dispersiva. Entretanto, quando Schoenberg lhe perguntou se dedicaria sua vida à música, Cage respondeu que sim.

Schoenberg é um dos compositores mais densos que já existiram. Sua música é rigorosamente trabalhada seguindo a tradição alemã de fazer “música de verdade”, como o fizeram Bach, Mozart e Beethoven. Já Cage é um filho de uma América idealizada por Walt Whitman, constituída por desbravadores que, ao contrário de matar índios, os ajudavam a construir ocas. Além disso, embebeu-se de filosofia oriental, incrementando ao espírito americano o gosto pela meditação. Esta mistura, quando realizada em gente comum, geralmente origina aquilo que se chama de “hippie“. Entretanto, em homens de gênio, tal alquimia revela-se um poderoso elixir de criatividade. De alguma forma, a tradição alemã só foi efetivamente deixada de lado quando se associaram as imagens do Buda com os trilhos da Southern Pacific ou a ponte do Brooklin.

No final dos anos trinta Cage começou a escrever música para grupos de dança moderna. Nesta época, começou sua experimentação com instrumentos não-convencionais, como panelas e outros utensílios domésticos. Então surgiu, em 1940, uma de suas invenções mais famosas: o Piano Preparado. Este consiste em um piano com diversos objetos em cima de suas cordas. O som é como o de uma orquestra de percussão, mas com o volume de decibéis de um cravo.

Termino este post amanhã, falando sobre aleatoriedade. E daí finalmente partimos para o minimalismo.

Abração faceiro aos meus bravos leitores.

1 Comentário

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Uma resposta para

  1. fábio

    muito muito préza

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