Eis um post histórico (não tanto pela importância que virá a ter para os visitantes alienígenas, mas pelo assunto de que trata). Falarei um tanto sobre o que eu acho importante na música do séc. XX, à guisa de introdução ao Minimalismo.
Schoenberg foi a Primeira Guerra Mundial da música. E, em certa medida, a Segunda também. Ciente que a evolução das artes era inevitável e necessária, foi quem “descobriu” o atonalismo. Richard Strauss já havia trabalhado com pesadas dissonâncias, e Debussy , com sua música sinestésica, desmembrou o tonalismo em cores flutuantes, fugindo da convenção tonal. A originalidade de Schoenberg foi pôr a dissonância em primeiro plano – ela não era apenas um recurso dramático, mas o esqueleto da música. Espinhoso, o atonalismo podia furar ouvidos, e muitos gritaram de dor.
Estava isolado na ponta aguda da vanguarda, acompanhado apenas de seus discípulos Anton Webern e Alban Berg. Entretanto, a Primeira Guerra veio antes na música que nos battlefields. Com a retalhação da Europa em cicatrizes de trincheiras e corrosão explosiva, compositores menos perspicazes viram no atonalismo uma oportunidade de serem “modernos”. Uma enxurrada de partituras atonais surgiram nesta época, inflando o mercado musical de gente que queria “chocar”. Assim, batutas tornaram-se chocalhos, e, apesar de gente interessante como Edgar Varèse, a música parecia estagnada.
Paralelo a isso, outros nomes são necessários. O primeiro é russo, Igor Stravinsky. Ele aboliu a valsa dos balés, substituindo-a por danças tribais, sacrifícios humanos e gelo partindo ao meio. Conscientizou a Europa que o ritmo era um elemento-chave na composição, e que inovações posteriores não podiam ignorar esta faceta, deplorada em relação à harmonia.Há também Béla Bartók, que encontrou um caminho intermediário entre Stravinsky e Schoenberg, com invenções no ritmo e na harmonia, tendo por base as canções folclóricas da Hungria. E por que não citar Charles Ives, que talvez tenha feito composições atonais anos antes de Schoenberg, mas em sua casa nos Estados Unidos, e sem contar para ninguém?
A parte II deste post segue amanhã, ou ainda hoje de noite, não sei. Acabou meu intervalo, preciso trabalhar.
Um aperto de mãos aos meus leitores,
Lorean Linchen
