Continuando sobre John Cage, mas beem na manha.

A ideia inicial do Piano Preparado era a possibilidade de performances percussivas em locais que não suportavam uma orquestra de percussão de fato. Cage saía em turnê com sua própria ensemble, ganhando fama como compositor para instrumentos de percussão. Assim, foi para Nova York em 1942.

Na Big Apple, Cage e sua mulher, Xenia, ficaram na casa de Max Ernst e Peggy Guggenheim, e através deles, conheceram artistas da envergadura de Piet Mondrian, Andre Breton, Jackson Pollock e Marcel Duchamp. Ernst e Guggenheim se dispuseram a acolher o casal por quanto tempo fosse necessário, além de exibir a música de Cage na galeria de Peggy. Entretanto, ao saberque Cage tinha uma apresentação marcada no MoMA, Peggy expulsou o casal Cage de sua casa. Sem lar, vão morar com um casal de dançarinos. Sem dinheiro nem orquestra de percussão, John concentra sua atenção no piano preparado. Por esta época teve aulas de música e filosofia orientais com Gita Sabharai.

Aí, a partir do indiano, começa a parte mais interessante da obra de Cage… Irão me perdoar, mas não posso escrever mais agora. Amanhã rola certo.

Até!

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Fiquei uma semana sem escrever. Me foi impossível, devido ao início das aulas, aniversário de ma chèrrie, urgências no trabalho, etc. Mas um dos motivos era o próprio assunto do qual trataria: John Cage. Não me aprofundarei no tema da maneira que gostaria: tenho um programa e devo segui-lo, para evitar bagunça.

Of course he’s not a composer, but he’s an inventor—of genius.” Esta citação de Schoenberg é a melhor definição de Cage que pude encontrar. Ao contrário da esmagadora maioria dos grandes compositores, Cage não iniciou sua carreira artística na música. Antes de se tornar compositor, experimentou a arquitetura, a pintura, a literatura. Por algum tempo, viveu de ministrar palestras sobre a arte moderna. Sua indecisão parecia ser uma força dispersiva. Entretanto, quando Schoenberg lhe perguntou se dedicaria sua vida à música, Cage respondeu que sim.

Schoenberg é um dos compositores mais densos que já existiram. Sua música é rigorosamente trabalhada seguindo a tradição alemã de fazer “música de verdade”, como o fizeram Bach, Mozart e Beethoven. Já Cage é um filho de uma América idealizada por Walt Whitman, constituída por desbravadores que, ao contrário de matar índios, os ajudavam a construir ocas. Além disso, embebeu-se de filosofia oriental, incrementando ao espírito americano o gosto pela meditação. Esta mistura, quando realizada em gente comum, geralmente origina aquilo que se chama de “hippie“. Entretanto, em homens de gênio, tal alquimia revela-se um poderoso elixir de criatividade. De alguma forma, a tradição alemã só foi efetivamente deixada de lado quando se associaram as imagens do Buda com os trilhos da Southern Pacific ou a ponte do Brooklin.

No final dos anos trinta Cage começou a escrever música para grupos de dança moderna. Nesta época, começou sua experimentação com instrumentos não-convencionais, como panelas e outros utensílios domésticos. Então surgiu, em 1940, uma de suas invenções mais famosas: o Piano Preparado. Este consiste em um piano com diversos objetos em cima de suas cordas. O som é como o de uma orquestra de percussão, mas com o volume de decibéis de um cravo.

Termino este post amanhã, falando sobre aleatoriedade. E daí finalmente partimos para o minimalismo.

Abração faceiro aos meus bravos leitores.

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História da Música em ??? Palavras, Parte II – 329

Schoenberg, na necessidade de ordenar o sistema atonal, lançou uma bomba (muitos diriam atômica) na Hiroshima musical: o dodecafonismo. Aí tenho que fazer um balão explicativo.

*Tonalismo – A música roda em torno de um centro tonal, ou seja, um acorde. A música pop,  por exemplo, é toda tonal. Há uma ideia de consonância no termo, pois há uma série de regras harmônicas que garantem que as notas e progressões de acordes se relacionem a este centro tonal.

*Atonalismo – Abandono do centro tonal. A dissonância não é mais um recurso dramático que se “resolve” em consonância. Como não há regras propriamente ditas, as relações são livres, e a dissonância surge como carro-chefe.

*Dodecafonismo – Partindo do princípio de todas as notas terem igual valor, ordena-se a música em séries de doze notas “relacionadas apenas umas às outras”. Numa composição dodecafônica, todas as séries derivam de uma série inicial. Por exemplo: movimento retrógrado (a série inicia pela última nota da original), inversão de intervalos (o que desce, sobe, e o que sobe, desce),  inversão retrógrada (a série invertida em movimento retrógrado), etc. Desta forma organiza-se o caos atonal num sistema lógico e harmônico. Estas séries dodecafônicas podem tanto gerar música que se pareça com algo em Dó Maior quanto diabruras dissonantes.

Um sistema tão rigorosamente organizado como o dodecafonismo abriu um caldeirão de possibilidades na criação musical. Compositores ilustres adotaram o dodecafonismo, e muitos fizeram seu nome as custas do método de Schoenberg. Mas foi necessária mais uma Guerra Mundial para que o mundo sentisse o cheirinho que exalava da tampa aberta.

O cheiro mais forte era a possibilidade de criar música através de operações matemáticas, visto que as composições dodecafônicas são todas possíveis permutações de um determinado esquema. Mas os aromas mais sutis são sempre ignorados pela multidão. E nesta profusão culinária, quem encontrou o ingrediente mais raro e saboroso foi justamente um dos incontáveis alunos de Schoenberg. Seu nome era John Cage. Suas especialidades: a  aleatoriedade e o silêncio.

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História da Música em ??? Palavras, Parte I – 353

Eis um post histórico (não tanto pela importância que virá a ter para os visitantes alienígenas, mas pelo assunto de que trata). Falarei um tanto sobre o que eu acho importante na música do séc. XX, à guisa de introdução ao Minimalismo.

Schoenberg foi a Primeira Guerra Mundial da música. E, em certa medida, a Segunda também. Ciente que a evolução das artes era inevitável e necessária, foi quem “descobriu” o atonalismo. Richard Strauss já havia trabalhado com pesadas dissonâncias, e Debussy , com sua música sinestésica, desmembrou o tonalismo em cores flutuantes, fugindo da convenção tonal. A originalidade de Schoenberg foi pôr a dissonância em primeiro plano – ela não era apenas um recurso dramático, mas o esqueleto da música. Espinhoso, o atonalismo podia furar ouvidos, e muitos gritaram de dor.

Estava isolado na ponta aguda da vanguarda, acompanhado apenas de seus discípulos Anton Webern e Alban Berg. Entretanto, a Primeira Guerra veio antes na música que nos battlefields. Com a retalhação da Europa em cicatrizes de trincheiras e corrosão explosiva, compositores menos perspicazes viram no atonalismo uma oportunidade de serem “modernos”. Uma enxurrada de partituras atonais surgiram nesta época, inflando o mercado musical de gente que queria “chocar”. Assim, batutas tornaram-se chocalhos, e, apesar de gente interessante como Edgar Varèse, a música parecia estagnada.

Paralelo a isso, outros nomes são necessários. O primeiro é russo, Igor Stravinsky. Ele aboliu a valsa dos balés, substituindo-a por danças tribais, sacrifícios humanos e gelo partindo ao meio. Conscientizou a Europa que o ritmo era um elemento-chave na composição, e que inovações posteriores não podiam ignorar esta faceta, deplorada em relação à harmonia.Há também Béla Bartók, que encontrou um caminho intermediário entre Stravinsky e Schoenberg, com invenções no ritmo e na harmonia, tendo por base as canções folclóricas da Hungria. E por que não citar Charles Ives, que talvez tenha feito composições atonais anos antes de Schoenberg, mas em sua casa nos Estados Unidos, e sem contar para ninguém?

A parte II deste post segue amanhã, ou ainda hoje de noite, não sei. Acabou meu intervalo, preciso trabalhar.

Um aperto de mãos aos meus leitores,

Lorean Linchen

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Prolegômenos

Este blog surge na inevitável necessidade de escrever sobre minhas pesquisas musicais. O primeiro assunto em pauta será o minimalismo em suas origens: Terry Riley, LaMonte Young, Steve Reich, etc.

Este é um blog sobre música, mas não exclusivamente. Quando houver necessidade, resenharei exposições, etc. Também farei resenhas sobre shows, inclusive alguns que ocorrem no Smalls Jazz Club, de Nova York, cujas apresentações são transmitidas worldwide, em tempo real.

Em relação ao minimalismo, tentarei descrever parte de sua história, assim como apropriações do estilo pelo mundo pop, tendo por base o grupo Velvet Underground. Também farei resenhas sobre as principais composições do estilo, sendo absurdamente parcial em meus comentários. Muito deste trabalho é hercúleo e chato (ou meditativo, se preferirem), se levarmos em conta LaMonte Young, por exemplo: composições de horas com apenas uma nota, sem variações. Ainda sim é necessário ouvir e pesquisar. Por isso, não reclamem da parcialidade, até porque ela virá recheada de elegância, sem espaço para vulgarizações, tais como “gosto tanto dessa música” ou “nossa, que coisa bacana!”.

Abraço amigo a quem ler,

Lorean Linchen

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